Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial; dívida é de R$ 56 bilhões
A empresa também enfrenta impactos financeiros relacionados ao afundamento do solo em bairros de Maceió
A Braskem entrou nesta segunda-feira (24) com pedido de recuperação extrajudicial para tentar reestruturar suas dívidas financeiras, estimadas em cerca de R$ 56 bilhões, ou US$ 10,9 bilhões.
A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e comunicada ao mercado. O objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar as obrigações financeiras da empresa diretamente com os credores.
Segundo a Braskem, o processo terá alcance exclusivamente financeiro. As dívidas e compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros não fazem parte da recuperação e continuarão sendo cumpridos normalmente.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie um acordo diretamente com seus credores e posteriormente peça a homologação da Justiça. Caso não consiga reunir o apoio necessário, o processo pode evoluir para uma recuperação judicial.
A companhia já vinha negociando com bancos e outros credores uma reestruturação financeira. O período de proteção contra possíveis cobranças judiciais terminou nesta segunda-feira, sem que um acordo definitivo fosse alcançado.
Entre as propostas discutidas estava um plano apresentado pela controladora IG4, que previa o alongamento das dívidas por cinco anos e uma carência de juros durante 30 meses. A proposta não incluía redução do valor principal da dívida nem transformação dos débitos dos bancos em participação acionária.
A situação financeira da Braskem ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelo setor petroquímico mundial, que sofre com excesso de oferta, margens menores e demanda mais fraca.
A empresa também enfrenta impactos financeiros relacionados ao afundamento do solo em bairros de Maceió, em Alagoas, associado à exploração de sal-gema. O problema gerou um passivo bilionário e afetou dezenas de milhares de moradores, além de provocar a condenação de milhares de imóveis.
Outro fator de pressão é o elevado custo financeiro. A alta dos juros no Brasil aumentou as despesas relacionadas às dívidas da companhia, enquanto parte significativa do passivo está denominada em moeda estrangeira.
A crise financeira também alcançou a Braskem Idesa, empresa controlada pela companhia no México. Na semana passada, a joint venture entrou com pedido de proteção judicial nos Estados Unidos por meio do mecanismo conhecido como Chapter 11.
A recuperação extrajudicial representa uma nova tentativa da Braskem de reorganizar sua estrutura financeira e evitar uma deterioração maior de sua situação, enquanto busca um acordo com os credores.