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POLÍTICA

Após Datafolha, Lula e Flávio Bolsonaro preparam nova fase de ataques na campanha

22/08/2026 - 10:46

Equipe de Flávio vai explorar o caso Lulinha enquanto campanha petista deve reaquece "Dark Horse"

Após Datafolha, Lula e Flávio Bolsonaro preparam nova fase de ataques na campanha

A divulgação da nova pesquisa Datafolha, com Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, mas dentro de um cenário de disputa apertada, deve provocar uma mudança na estratégia dos dois principais candidatos à Presidência. Com a aproximação entre os dois e a rejeição elevada, as campanhas tendem a concentrar esforços em explorar os pontos mais vulneráveis do adversário.


No segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. A diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula tem 39%, enquanto Flávio aparece com 32%. A pesquisa ouviu 2.058 eleitores e mostra que os dois candidatos permanecem em posição de destaque, enquanto os demais nomes seguem distantes.


A leitura das campanhas é diferente. No PT, o resultado foi recebido com certo alívio porque Lula manteve a liderança mesmo após uma sequência de notícias negativas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Entre aliados de Flávio, porém, os números são vistos como sinal de que o senador está reduzindo a distância e pode ganhar força durante a campanha.


Ataques a Flávio devem ganhar espaço


Segundo informações divulgadas pelo UOL, a campanha de Lula prepara uma ofensiva contra Flávio Bolsonaro e pretende retomar o caso conhecido como Dark Horse. A estratégia seria explorar questionamentos relacionados ao financiamento do filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e à relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.


O próprio Flávio afirmou que considera o episódio uma "página virada" e declarou que a prestação de contas do filme já foi realizada. Ao ser questionado sobre o assunto, o candidato mudou o foco para Lula e Lulinha, afirmando que eles deveriam prestar esclarecimentos sobre as investigações envolvendo o filho do presidente.


A equipe de Lula também avalia usar a questão do sigilo bancário como instrumento de pressão política. De acordo com o UOL, aliados do presidente discutem cobrar de Flávio a abertura de seus dados bancários, enquanto a defesa de Lulinha afirma que ele colocou seus próprios dados à disposição das autoridades.


Flávio deve insistir no caso Lulinha


Do outro lado, a estratégia de Flávio Bolsonaro tende a explorar de maneira mais intensa as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.


Lulinha é alvo de três investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. Uma delas apura possíveis relações com a lobista Roberta Luchsinger e eventual tentativa de favorecer negócios junto ao governo. Ele não é indiciado no caso da fraude do INSS, embora tenha sido citado nas investigações. A defesa nega qualquer irregularidade e afirma que os vazamentos das investigações têm sido utilizados com objetivos políticos.


O próprio Lula declarou que acredita na inocência do filho, mas afirmou que, caso ele seja considerado culpado, deverá responder pelos seus atos.


A campanha de Flávio pretende transformar o episódio em um dos principais temas de sua comunicação. Segundo avaliações publicadas pela Folha, aliados do senador acreditam que o caso pode ampliar o desgaste de Lula e ajudar Flávio a superar o impacto político das controvérsias relacionadas ao caso Dark Horse.


A economia também entra na estratégia


Além das acusações e investigações, Flávio Bolsonaro deve continuar explorando a situação econômica do país para tentar ampliar sua vantagem entre eleitores insatisfeitos com o governo.


A equipe do candidato avalia que problemas relacionados ao endividamento das famílias, ao poder de compra e ao fechamento de empresas podem reforçar a percepção de que o governo Lula não conseguiu entregar uma melhora suficiente na economia.


Em agendas recentes, Flávio passou a associar sua campanha a temas ligados ao preço dos alimentos e ao custo de vida, utilizando, inclusive, imagens de estabelecimentos comerciais fechados para criticar a situação econômica.


Lula aposta em exposição e tempo de televisão


Apesar da pressão, a campanha petista avalia que Lula continua tendo condições de crescer. Um dos trunfos apontados pelos aliados é o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, quando o PT terá espaço significativo para apresentar a imagem do presidente e atacar os pontos considerados mais frágeis de Flávio.


Segundo relatos publicados pelo UOL, integrantes da campanha ainda trabalham com a possibilidade de Lula ampliar sua vantagem durante a propaganda e, embora reconheçam que o segundo turno é hoje o cenário mais provável, não descartam uma reação capaz de alterar a disputa.


A pesquisa, entretanto, mostra um obstáculo importante para os dois candidatos: a dificuldade de ampliar suas bases. O levantamento aponta rejeição de 45% a Lula e de 46% a Flávio Bolsonaro. Isso significa que a eleição pode ser definida não apenas pela capacidade de conquistar novos eleitores, mas também pela habilidade de cada campanha em reduzir a rejeição ao próprio candidato e aumentar a rejeição ao adversário.


Uma campanha cada vez mais polarizada


O cenário indica que a disputa entre Lula e Flávio deve entrar em uma fase marcada por ataques mais diretos. De um lado, o PT pretende colocar em evidência questões envolvendo Flávio e o caso Dark Horse. Do outro, o bolsonarismo deve martelar as investigações envolvendo Lulinha e associá-las ao governo petista.


A tendência é que os dois assuntos ganhem ainda mais espaço com o avanço da campanha eleitoral. A estratégia é clara: transformar os problemas do adversário em elementos capazes de aumentar sua rejeição.


Esse movimento, porém, também aumenta o risco de a eleição ficar concentrada em denúncias e acusações, deixando em segundo plano discussões sobre economia, segurança pública, saúde, educação e outras demandas do eleitorado. O que o Datafolha mostra, neste momento, é uma disputa ainda aberta. Lula continua à frente, mas a vantagem é estreita no segundo turno. Flávio, por sua vez, tenta transformar a aproximação nas pesquisas em uma trajetória de crescimento.


Com a propaganda eleitoral prestes a ganhar força e os ataques entre os dois campos se intensificando, os próximos levantamentos deverão mostrar se as estratégias escolhidas serão capazes de alterar a preferência dos eleitores ou apenas aprofundar a polarização já existente.