Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda a doença diagnosticada em Lito Sousa
Lito Sousa tem 59 anos e é criador do canal Aviões e Músicas, um dos maiores do YouTube sobre aviação, no ar há mais de 15 anos
O influenciador Lito Sousa, de 59 anos, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A informação foi divulgada por sua esposa, Mila, nesta sexta-feira (21).
Segundo ela, Lito apresentou perda de parte da capacidade motora nas últimas semanas, mas permanece lúcido. A doença é considerada extremamente rara, com uma incidência estimada entre um e dois casos por milhão de pessoas por ano. A DCJ é uma enfermidade neurodegenerativa provocada por uma alteração em uma proteína chamada príon.
Como a doença afeta o cérebro
A proteína príon normalmente está presente no organismo. Em situações raras, porém, ela sofre uma alteração de estrutura e passa a provocar mudanças semelhantes em outras proteínas. O processo se espalha pelo cérebro e causa a degeneração progressiva dos neurônios.
A doença costuma evoluir rapidamente, geralmente ao longo de alguns meses. Entre os principais sintomas estão perda acelerada de funções cognitivas, problemas de coordenação, rigidez muscular, abalos musculares, alterações visuais e dificuldades de movimentação.
Em estágios avançados, o paciente pode perder a capacidade de falar, interagir e se movimentar.
Não existe cura atualmente. Ainda não existe tratamento capaz de interromper ou curar a doença de Creutzfeldt-Jakob. Os cuidados médicos são direcionados ao controle dos sintomas e à qualidade de vida do paciente.
O acompanhamento pode envolver medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, neurologistas e equipes especializadas em cuidados paliativos. Pesquisadores estudam novas terapias que possam impedir a transformação da proteína príon ou reduzir sua produção, mas o desenvolvimento de tratamentos é dificultado pela raridade e pela rápida evolução da doença.
Quais são os tipos da doença
A DCJ pode ser dividida em quatro formas principais. A forma esporádica é a mais comum e representa cerca de 85% dos casos. Sua causa ainda não é completamente conhecida. A forma genética corresponde a aproximadamente 15% dos casos e está relacionada a alterações hereditárias. Também existe a forma iatrogênica, associada, em situações muito raras, à transmissão por determinados procedimentos médicos. A quarta forma é a variante da DCJ, relacionada à ingestão de carne contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca.
Apesar de a doença poder ser transmitida em circunstâncias específicas, ela não é adquirida por contato cotidiano, como toque, proximidade ou inalação de gotículas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a análise dos sintomas e a exclusão de outras doenças que podem apresentar sinais semelhantes. Exames como ressonância magnética do cérebro, análise do líquido cefalorraquidiano e eletroencefalograma podem ajudar na investigação.
Um dos exames mais específicos é o rt-QuIC, capaz de identificar indícios da proteína príon associada à doença. O teste, porém, ainda possui disponibilidade limitada no Brasil. A DCJ é uma doença rara, grave e de evolução rápida. Por isso, a identificação correta da condição é fundamental para diferenciar o quadro de outras doenças neurológicas que podem ter tratamento.